sábado, 24 de novembro de 2007

Silêncio

O silêncio dentro de mim às vezes grita.
O silêncio dentro de mim grita e me ensurdece
Ás vezes grita tanto e tão alto que acorda meu inconsciente; este manda mensagens pro meu consciente que, coitado, fica perdido com tamanha bronca. E eis que me vejo insana.
Insana? Não! Quis dizer humana.

O silêncio não é a ausência de ruídos, sons. Meu silêncio é a presença marcante de minha essência. É no silêncio que muitas vezes me vejo.
Me vejo nua, como sou na realidade. Despida de todo tabu, de toda moral imposta (por quem quer que seja). E é por isso que às vezes ele dói.

O silêncio incomoda muita gente. Muitos podem não gostar do silêncio, pois é nele que ficam guardadas todas as nossas taras, as coisas mais repugnantes que nós, conscientemente ficamos rubros só de pensar. É no silêncio que estão guardadas as minhas taras, minhas fantasias, minha raiva, minha vingança, meu desprezo, minha inquietação, minha insensibilidade, meu egoísmo... O meu silêncio não é branco. Tampouco negro. Meu silêncio tem a cor do meu espírito. Ou do meu estado de.

Mas pensando bem, ficar em silêncio é como falar de mim mesma, mas na terceira pessoa. É como me ver "de fora". E isso é ótimo, a partir do momento em que você se dispõe a melhorar. E então, o silêncio torna-se agradável.

E é através do meu silêncio que eu posso reverter meu estado, ou reverter minhas ações, o que me incomoda.
Reconhecer que perfeição é defeito também.
É no silêncio que repousa minha força.
O que almejo não é a perfeição, nem o silêncio.
Eu almejo ser somente eu mesma.
Simplesmente perfeita na minha imperfeição.

Você não ouve nada quando em silêncio? Talvez ele tenha gritado tanto que ficou rouco.

Muitas vezes prefiro o silêncio da gritaria à gritaria do meu silêncio.
Não é sempre que gosto de me ouvir.

Um comentário:

Pe disse...

Silêncio é assim mesmo... provoca a gente. Aproveite bem o seu silêncio.
Adorei o texto! Beijos mil!